O sol nasce quadrado no interior: o circuito espacial penal como projeto de cidade
DOI:
https://doi.org/10.64238/geopuc.2025.159Palavras-chave:
Circuito espacial penal, Domicílios coletivos, Geografia do bonde, Interior de São Paulo, PenitenciáriasResumo
Este artigo investiga de que maneira pequenos municípios do interior paulista converteram-se em celeiros carcerários, abrigando sujeitos deslocados das macrorregiões metropolitanas e do litoral. Sustentado pela perspectiva denominada Geografia do Bonde, o estudo articula a categoria circuito espacial penal a enunciados poéticos de grupos de Rap, buscando um ponto de equilíbrio entre o rigor acadêmico e a densidade lírica que emana das periferias. Parte-se da hipótese de que a política de Segurança Pública de São Paulo instaura enclaves prisionais em cidades de baixa densidade demográfica, redirecionando fluxos humanos, recursos públicos, e estigmas socioterritoriais para territórios historicamente periféricos ao desenvolvimento estadual. Gráficos elaborados a partir de bases oficiais dimensionam o modo como moradores desses domicílios coletivos incorporam a nova função do espaço, convertendo relações de vizinhança, oferta de serviços e imaginários locais. A análise combina levantamentos estatísticos, revisão da literatura sobre geografia carcerária e a intersubjetividade de artistas do Hip Hop, cujo relato sensível ilumina aspectos silenciados pelos números. Assim, procura-se apreender a lógica de uma geografia penal que translada encarcerados para centenas de quilômetros, reorganizando escalas de poder, redes de sociabilidade e usos do território interiorano paulista, produzindo efeitos duradouros sobre economia, política e memória locais.
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