Novo território do vinho no Rio de Janeiro: o papel do storytelling na construção do terroir
DOI:
https://doi.org/10.64238/geopuc.2025.166Palavras-chave:
Enoturismo, Comunicação, Paisagem, Identidade, Storytelling, Terroir, Governança Territorial, Oportunidades, InterdisciplinaridadeResumo
Este artigo analisa, sob abordagem interdisciplinar que reúne Geografia Cultural, Comunicação Social, Economia do Turismo e Ciências Ambientais, a consolidação, na última década, de um novo território do vinho na Região Serrana fluminense. A adoção da técnica da dupla poda – que desloca a maturação das uvas Vitis viniferas para o inverno seco – deflagrou investimentos em vinhedos, fundação de vinícolas e oferta de infraestrutura turística diversificada, atraindo visitantes interessados na paisagem alterada pela vitivinicultura e cultura locais. O estudo destaca o papel estratégico da comunicação e do storytelling na criação de narrativas que agregam valor, moldam a identidade territorial e legitimam o terroir emergente. A instauração da Indicação Geográfica “Vinhos de Inverno da Região Serrana Fluminense” é discutida como marco regulatório que integra dimensões ambientais, culturais e sociais, estimulando o associativismo e o diálogo com o poder público. O trabalho de campo — que incluiu entrevistas e visitas às vinícolas Inconfidência, Terras Frias, Tassinari e Borgo Del Vino — evidenciou benefícios econômicos do enoturismo, mas também desafios de infraestrutura, qualificação de mão de obra e risco de gentrificação. Conclui-se que a consolidação desse território requer redes cooperativas, linhas de fomento (ex. FAPERJ) e estratégias comunicacionais que articulem sustentabilidade e valorização cultural. Narrativas autênticas são condição-chave para alinhar vitivinicultura, turismo e desenvolvimento regional.
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